Clássicos de comédia romântica- Pare esse casamento!

Stop the wedding-The graduate

Às vezes a gente tem a sensação de que quem viu uma comédia romântica na vida, já viu todas. É quase certo que nos minutos finais vai rolar aquele momento emocionante na forma de corridinha, que pode ser pra um casamento ou pro aeroporto (rodoviária também funciona, mas é menos frequente).  Porque é sempre possível resolver nos dez minutos finais aquilo que não foi possível em uma hora e meia, e mocinhos de comédia romântica encontram seu charme justamente em decidirem tudo de última hora.

Pense aí: se o amor da sua vida está se casando com outra pessoa, e você acha que isso é um erro, porque esperar até o momento do casório pra colocar os pingos nos is? Porque não passar na casa da criatura mais cedo, conversar com calma e evitar o espetáculo e o vexame pra todo mundo? Casamentos geralmente levam tempo e dão trabalho pra serem organizados, o protagonista da corridinha teria ocasião de sobra pra pôr um fim na festa com antecedência.

Eu também não consigo entender por que alguém iria se submeter a todo o desgaste dos preparativos se é capaz de largar a pessoa  na primeira oportunidade. Mesmo se o Ewan McGregor invadisse o meu casamento cantando “Come What May” eu o colocaria pra correr a sapatadas!

Desculpa aí Ewan, você não sabe o trabalho que deu pra arrumar esse casamento com o Lucas

Desculpa aí Ewan, mas você não sabe o trabalho que deu pra arrumar esse casamento com o Lucas

Mesmo assim, existem filmes que conseguem fazer bom uso do clichê, e acrescentam algum detalhe interessante, tornam tudo mais engraçado, ou só subvertem a expectativa. E foi por isso que eu escolhi esses aqui. Eu menciono alguns SPOILERS mas acho que todo mundo já deve saber, considerando que são filmes bem conhecidos.

Poção do Amor nº9 (Love Potion nº9, 1992)

love potion no. 9

Esse filme  já batia ponto na Sessão da Tarde muitos anos antes de Miss Simpatia (Miss Congeniality, 2000) tentar nos convencer de que a Sandra Bullock podia ficar feia. Aqui ela e o amigo igualmente nerd e tímido Paul (Tate Donovan) resolvem fazer experimentos com a poção de uma cigana, que prometia altos poderes de conquista a quem a usasse. A voz se tornaria irresistível ao sexo oposto, e a gente acredita (anrã) que só assim mesmo pra Sandy arrumar um namorado.

O problema é que o feitiço virou contra o feiticeiro, e um ex da moça acaba se aproveitando da mesma poção pra conseguir empurrar um casamento. Sinuca, né? Ainda mais porque, olha só, o amigo havia acabado de descobrir que a amava o tempo todo! Mas quem resolve mesmo o problema é uma prostituta que era apaixonada pelo noivo, ela usa a poção, invade a igreja e…o resultado pode ser visto a partir de 1:40 desse vídeo.

Quatro casamentos e um funeral (Four weddings and a funeral, 1994)

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Num filme que tem quatro casamentos, é de se esperar que pelo menos um deles acabe interrompido. Charles (Hugh Grant) e Carrie (Andie MacDowell) vivem se esbarrando por enlaces matrimoniais Inglaterra afora, mas acabam cometendo também seus próprios enganos pelo caminho.

Quando chega a vez de Charles tentar casar com a pessoa errada, ele é chamado à razão pelo seu irmão com deficiência auditiva. Pra perplexidade de todos na igreja, que não estão entendendo nada, o garoto usa a linguagem dos sinais pra dizer que aquilo tudo é um engano, e o noivo na verdade é apaixonado por outra mulher. Uma cena tão inesquecível quanto a trilha sonora do filme ( I feel it in my fingers, I feel it in my toooes…)

Kill Bill (2003-2004)

KillBillwedding

Eu sei que a saga da Uma Thurman passa longe de uma comédia romântica, mas cabe mencionar esse jeito interessante e altamente efetivo de interromper um casamento. É só juntar seus comparsas e matar absolutamente todo mundo, do padre à noiva grávida, passando pelo sujeito que tocava o piano. Como ninguém pensou nisso antes!

O Bill até admitiu mais tarde que tinha exagerado um pouquinho na dose, mas acho que não foi suficiente pra deter a sede de vingança da ex-noiva que sobreviveu por bem pouco e acabou amargando quatro anos num coma. Mas eu entendo, também quase fiz umas cabeças rolarem quando o DJ confundiu as músicas da minha cerimônia. Chato as coisas saírem da programação.

A primeira noite de um homem ( The Graduate, 1967)

the graduate wedding

Em defesa do Ben (Dustin Hoffman) dá pra dizer que ele realmente só soube do casamento da Elaine (Katharine Ross) de última hora, teve que ir pra outra cidade e a gasolina acabou quando ele já estava pertinho. Já a Elaine arrumou esse noivo por pressão da mãe, Mrs. Robinson (Anne Bancroft), que resolveu virar vilã a partir da segunda metade do filme e tentava a todo custo separar a filha e o ex-amante.

Depois de muita desordem e confusão, quando Ben até conseguiu ser chamado de “punk”, numa época em que isso não era um elogio, Elaine se dá conta da grande burrada que estava prestes a fazer. O ponto alto mesmo é quando ela já estava indo embora, e a mãe a puxa pelo braço dizendo “É tarde demais!”. A noiva fujona responde com um “Não pra mim!”, levando ao delírio toda uma geração de jovens rebeldes dos anos 60 que estava colocando abaixo o conservadorismo dos seus pais. 

Agora melhor mesmo seria se esses invasores de casamentos entrassem cantando e fazendo a dança desse grande hit da Ternurinha, que batiza este post.

E você? Lembra de alguma outra cena de filme que fosse como essas?

Gosta ou tem horror a comédias românticas? Então dá uma olhada :

FilmedeMocinha

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