Carta ao blog no seu primeiro aniversário

Emma-birthday

É amigo, já faz um ano desde que eu resolvi criar você. Difícil não cair naquele clichê de dizer “parece que foi ontem”, porque parece mesmo. Naquele tempo eu não entendia nada de blogs, templates, widgets, temas, thumbnails e etc. Continuo sem entender muito, mas pelo menos já sei o suficiente pra conseguir me virar.

Lembro de você tão novinho, azulzinho e branco naquele modelo padrão do WordPress. Um blog idêntico a um milhão de outros, sem conteúdo nenhum. Mas era meu, só meu. E foi com o maior carinho que eu fui ajustando as suas funcionalidades, até chegar em como você é hoje. Azul e laranja como um filme do Almodóvar. Com essa fita VHS enroscada no seu título.

Deu tanto trabalho pra finalmente escrever o seu primeiro post, não foi? Não que se tratasse de algo muito mirabolante, era só pra dizer a que veio o blog. Mas dava tanta aflição imaginar que as pessoas poderiam ler, criticar e achar ruim.

Foram horas pra escrever tão poucos parágrafos! E pensar que viriam textos tão maiores depois, muitos deles escritos em bem menos tempo. Acho que nós dois fomos crescendo juntos nesse ano que passou.

moonrise-kingdom

Só depois de outras cinco postagens é que eu tive coragem de finalmente tornar você público e divulgar pros conhecidos no Facebook. Justamente quando eu escrevia sobre um filme tão querido como Moonrise Kingdom.

Engraçado como o meu estilo foi mudando. Aprendi a ser mais informal, escrever em parágrafos pequenos, com um monte de fotos pra ajudar na leitura. Só o texto é que não consegue diminuir, né? Eu e esses meus dedos soltos.

Com você, eu descobri como funciona isso de fazer resenhas. Se eu vi um filme, tenho que falar dele imediatamente, registrar em qualquer pedaço de papel as coisas que eu for pensando, pra não correr o risco de esquecer o que havia de interessante (ou horrível) nele.

Você é que sabe como eu sofria pra escrever depois que vários dias já haviam passado. Ou pra mencionar filmes importantes, que já tinha visto há muitos anos e que não teria tempo de rever.

E sobre os meus filmes favoritos, aqueles que já vi mil vezes, sei todos os diálogos e até a ordem das cenas, aí é que eu não consigo escrever mesmo. Você me viu desistir em quase todas as vezes que tentei. Como naquele meu texto sobre “A primeira noite de um homem” que está há meses amargando na pasta de rascunhos, e nem tem data pra sair de lá.

Dá uma ânsia de escrever tudo o que existe, tudo o que se falou e tudo o que eu amo sobre eles.  O que acaba sendo pressão demais pra mim e pra você. 

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Mas vamos falar das coisas que deram certo então? Vimos nascer os nossos próprios blockbusters que, nesse caso, foram os textos sobre a Netflix, Parte 1 e Parte 2. Foram eles que impulsionaram as visitas pra cá, e colocaram o seu nome no mapa (quer dizer, no Google).

E o incrível é que até hoje eles seguem como os mais visitados, com os demais seguindo só de longe. Outros que têm feito bastante sucesso também são o da She-ra e a série sobre Lua de Cristal.

E eu nem considero que eles sejam meus melhores posts (tá, eu admito que os de Lua de Cristal foram bem inspirados). Coloquei bem mais alma em outros que são pouco vistos, e quase nada comentados. Como os sobre  Buzz Lightyear, Drummond e Jane Austen. Mas quem é que vai entender como funciona a cabeça desses leitores, não é mesmo?

Eu sei que não tenho sido muito legal com você nos últimos tempos. Tivemos nossos altos e baixos em todos esses meses, mas agora é que ficou parecendo mesmo que eu te abandonei. Não fica chateado não, eu vou explicar.

Quando eu resolvi fazer você, eu estava decepcionada com muita coisa na minha vida. E escrever aqui era a única coisa que me fazia sentir útil, produtiva, e ainda permitia que eu me dedicasse a uma das minhas maiores paixões: o cinema. Ainda mais porque eu realmente via muitos filmes naquela época.

the-purple-rose-of-cairo_05

Agora algumas coisas ficaram diferentes. Eu vim passar um tempo nos Estados Unidos, e acabei me interessando por vários outros assuntos, além de manter aquele outro blog sobre essa experiência. E eu nem tenho mais assistido tanta coisa assim, ainda mais porque aqui o cinema é bem caro e a Netflix americana não é essa oitava maravilha que todos falavam. 

E sabe do que mais? Eu resolvi virar escritora de ficção. Assim, sem grande alarde, nem grandes pretensões. Só vou escrevendo os meus contos e vendo o que vai dar. Um deles até está por aqui, dá pra chegar nele clicando nessa noiva vintage aí acima e à direita.

Talvez você goste de saber que a personagem principal se chama Cecília, como em “A Rosa Púrpura do Cairo”, aquele meu favorito do Woody Allen. E que eu não poderia pensar em escrever algo assim se você não tivesse me mostrado que eu podia.

Por fim, eu quero só te desejar os parabéns mesmo. E dizer que eu vou me esforçar pra que esse seja só o primeiro de muitos aniversários. Um blog completar um ano já é um feito tão grande! Eu te daria um abraço apertado agora, se isso não fosse me fazer parecer maluca. Mais maluca do que alguém que conversa com o próprio blog.

Max-O Mentiroso

Um dia vamos assoprar todas essas velinhas

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3 thoughts on “Carta ao blog no seu primeiro aniversário

  1. Pingback: A caneca inspiradora e a(s) outra(s) história(s) | O Sol de Seattle

  2. Eu adorei seu blog.
    Eu estava por ai, me arrastando pela net e encontrei por acaso.

    Ele é simples da melhor maneira.

    Continue com o trabalho. Parabéns.

Deixe seu palpite aqui. O poder é de vocês!

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