A arte de ficar sozinha no Dia dos Namorados

Be my Valentine, Charlie brownEu sei que eu prometi um post sobre Elvira: a rainha das trevas, já que esse  foi o assunto eleito na votação que fiz aqui há algumas semanas. O problema é que quando eu estava com um milhão de ideias na cabeça eu não tinha tempo. Agora que eu estou livre pra escrever, todas aquelas coisas lindas e espertas que eu imaginei sumiram!

Isso já aconteceu aqui quando eu tentava escrever sobre Communitye eu só contornei o problema uns dias depois. Dessa vez eu estou enrolando por semanas, deixando esse blog à mingua e a perder visitas dia após dia. Resolvi mudar de tática, e escrever sobre outra coisa, até que a inspiração original volte. 

E aproveitando a data festiva de hoje, decidi falar sobre, enfim, Dia dos Namorados. Se não fosse pelo Facebook, eu bem que teria esquecido. Aqui nos EUA o povo já comemorou o deles em fevereiro, naquele alardeado  Valentine’s Day que aparece em milhões de filmes e séries. 

Até a Branca de Neve já passou o Dia dos Namorados sem príncipe. Aqui curtindo a noite com Cinderella e Chapeuzinho Vermelho em Once Upon a Time.

Até a Branca de Neve (esquerda) já passou o Dia dos Namorados sem príncipe. Aqui curtindo a noite com Cinderella e Chapeuzinho Vermelho em Once Upon a Time.

Esse fim de semana, aliás, é o Dia dos Pais ianque, que eu nunca vou entender porque eles celebram tão próximo ao Dia das Mães (que é no mesmo dia do nosso). Como comprar algo decente pro seu pai quando você já gastou tudo com a sua mãe? 

Mas voltando ao assunto, esse vai ser mais um Dia dos Namorados que eu passo sozinha. Meu marido (o Lucas que vocês já conhecem) foi fazer um curso láaa na Costa Leste e só volta no fim da semana. A princípio eu fiquei chateada, até ensaiei uma certa chantagem emocional, mas tive que me resignar a passar esse dia assistindo filme e comendo chocolate, como já fiz outras vezes.

E foi aí  que passei a lembrar de todos os momentos ótimos que passei exatamente desse jeito.

sex and the city movie

Miranda e Carrie curtem as respectivas fossas juntas, nesse restaurante brega, em Sex and the City-o filme

Não me levem a mal, comemorar essa data com namorado/marido é maravilhoso, claro. Eu e Lucas temos grandes memórias, como do dia em que eu ignorei minha dor de estômago pra comer num restaurante chique em Buenos Aires, ou quando a gente tava na pindaíba e se contentou em assistir o finzinho de um show do Milton Nascimento em Belo Horizonte. 

Por outro lado, passar esse dia só na sua própria companhia, ou na de outras pessoas de quem você gosta além da sua “alma gêmea” pode ser uma grande experiência também. Não é de hoje que eu questiono essa chatice de considerar amor romântico o fundamento de tudo, nos filmes e na vida. Existe muito mais pra curtir nesse mundo! E pra provar isso, vou contar aqui os três melhores Dias dos Namorados que eu passei sem namorado (mas não sem cinema).

12 de junho de 2002

Annie Hall

Eu tinha 17 anos, tinha acabado de entrar na faculdade e, como era meio lerda, nunca tinha namorado na vida. Esse “problema”seria resolvido dali a 2 meses, mas eu não fazia a menor ideia. Como a universidade estava em greve, eu passei o dia todinho assistindo televisão. Lembro de ter visto um programa no National Geographic sobre a “química da paixão”, alguma coisa assim, e mais um monte de outras bobagens lembrando a data.

Mas foi naquele dia também que eu vi um filme que me marcou e atraiu a minha atenção pra um diretor que está entre os meus favoritos até hoje. O hoje extinto canal MGM passou Noivo neurótico, noiva nervosa, e desde então Woody Allen e suas maquinações jamais saíram da minha vida.

2004

50 first dates

Sozinha de novo, curtindo uma “entressafra” de relacionamentos. Durante a manhã, fui pra Parada Gay de Itabuna, que foi ótima, apesar de ter sido a primeira. À tarde eu resolvi ir pro cinema, e não me intimidei nem um pouco de ver uma comédia romântica em pleno Dia dos Namorados. O filme era aquela fofura do Como se fosse a primeira vez.

Os casais até estavam comportados e discretos no cinema, mas o mesmo não de pode dizer da decoração do shopping naquele dia, que tinha muitos corações de um vermelho berrante. Ainda assim, e mesmo tendo que dividir mesa com um casal belicoso desconhecido na praça de alimentação, eu não deixei de  cantar mentalmente e super feliz “Wouldn’t it be nice“.

2006

justmarried

Nessa época eu tinha namorado, mas tudo estava praticamente no fim mesmo, a gente só ia empurrando o término com a barriga por preguiça. Eu passei semanas sugerindo que a gente fizesse algo no dia 12, mas o tempo foi passando, passando, chegou o dia, e nada. Tive que me contentar em ficar em casa mesmo.

Mas o maravilhoso é que a minha mãe se compadeceu da minha situação, resolveu comprar uma caixa de chocolate e fizemos um programa super “menininha” vendo o filme tosco que passou na Tela Quente naquele dia, Recém Casados. Foi um dos últimos grandes momentos felizes que passamos juntas, já que ela acabou falecendo no fim daquele mesmo ano. Hoje eu agradeço muito pelo fato de aquele namoro ir tão mal das pernas, e de eu ter podido aproveitar o resto do tempo que eu tinha com quem realmente importava.

Tá, esse ano não vai ser um Dia dos Namorados assim tão sozinha, quando Lucas voltar, a gente deve fazer alguma coisa legal. Aliás, acho que vai ser até bom, eu vou poder comemorar tanto só com meus filmes quanto com ele! 

Falando nisso, alguém aí tem sugestões do que assistir?

E o post sobre a Elvira tá de pé, só tenho que achar a inspiração pra escrever.

Sentindo esse clima contagiante de romance no ar? Então clique aqui:

FilmedeMocinha

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4 thoughts on “A arte de ficar sozinha no Dia dos Namorados

  1. Muito legal Camila, concordo com vc que o amor romantico como base de tudo tem até destruido as pessoas. Adoro fazer coisas sozinhas tb! Por que nao? Quebrar regras é sempre bom :)]
    Olha me emocionei com o ultimo ponto. Aquele momento de vcs duas deve ter sido magico e vc poderia ter perdido!

    • Oi Tati! Pois é, esse dia que eu passei com a minha mãe é uma lembrança muito querida mesmo, e eu fico feliz de tudo ter dado errado pra então dar certo 🙂 E o que eu acabei assistindo esse ano foi um filme não muito a ver com a data, Dumbo, rs. E como eu me acabei de chorar vendo aquele desenho de novo hahaha

  2. Pingback: A triste história do meu pé direito, e algumas palavras sobre acessibilidade | O Sol de Seattle

  3. Pingback: Como estragar seu filme com uma trama romântica (em 3 lições) | O filme da tarde

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