Hitchcock (2012)

Hitchcock-filme

Hitchcock era um grande gaiato. Pelo menos a julgar pelas suas aparições. No seu programa de TV ele fazia introduções cômicas e sarcásticas sobre as histórias de terror que seriam apresentadas. O mesmo acontecia em alguns trailers, que também vinham acompanhados de uma musiquinha estilo desenho animado.

E não podemos esquecer do momento “Onde está Wally?” em que ele se escondia no meio dos figurantes de seus filmes e passava despercebido até que a gente assistia de novo só pra procurar.

E é mais ou menos esse lado do diretor que o filme Hitchcock quer mostrar. O roteiro é baseado no livro “Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” de Stephen Rabello, e que narra, bem, os bastidores de Psicose (Psycho, 1960). Eu acabei de ler e acho que ele vale bastante a pena.

Mesmo quem nunca assistiu Psicose  conhece a clássica cena do chuveiro, a identidade do assassino, etc. Acho até que poucas coisas foram mais cantadas em verso e prosa por todos os meios possíveis de cultura pop.

psicose-chuveiro

E ainda assim, conhecendo quase tudo, o filme é impressionante, assustador, impactante e te manda pra cama morrendo de medo. E te faz tremer nas bases também se você, assim como eu, tem cortina ao invés de box no banheiro.

Agora imagina tudo isso no início da década de 60, quando havia quase nada que se pudesse comparar a ele. Tá, tinha o francês As Diabólicas (Les Diaboliques,1955), mas essa já é outra história.

Sendo o marco que foi, acho que a gente já se interessaria normalmente pelas histórias por trás de Psicose sem precisar de floreios ou histórias paralelas. Filmes como A noite americana (La Nuit Américaine,1973) e Ed Wood (1994) já tinham colocado com sucesso o processo cinematográfico  no centro dos acontecimentos.

Quem não quer saber do trabalho que foi conseguir uma atriz principal? Ou montar o cenário com pouco dinheiro e muito improviso?

Pena que o pessoal por trás de Hitchcock não tenha pensado assim. Seguindo uma linha de raciocínio tortuosa segundo a qual as pessoas só se interessam por uma história se tiver romance no meio, eles forçam a barra e colocam como foco o relacionamento entre Hitch (Anthony Hopkins) e sua esposa Alma (Helen Mirren), que também era colaboradora em seus filmes. 

Não que a verdadeira Alma não merecesse destaque, mas bem que podia ser de uma forma menos caricata do que aparece aqui. Ela nem era tão altiva e cheia de glamour como na caracterização da Helen Mirren, e sim com a aparência mais próxima à de uma dona-de-casa inglesa. Ela não teria valor pra trama se fosse representada de fora mais autêntica?

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Compare você mesmo a Alma ficcional com a real

Até a única filha do casal, Patricia, foi totalmente eliminada do roteiro. O que nem faz muito sentido, considerando que ela chegou a fazer uma ponta em Psicose, como uma secretária colega da mocinha Marion Crane.

O filme acaba não decidindo muito bem se quer ser uma comédia com toques de macabro (no que é ajudado pela trilha do Danny Elfman) ou um drama romântico. Aí eles inventam uma subtrama ridícula de que a Alma teria tido um casinho platônico com um roteirista pra provar seu valor, o que acabaria gerando ciúmes no marido.

E foi só por isso que a cena do chuveiro em Psicose foi tão violenta, minha gente. O Hitch tava descontando a raiva que sentia da mulher! Uma cena digna de Tiny Toons ou Animaniacs.

Isso sem falar da confusão entre o que o homem que o Hitchcock foi e o personagem que ele criou pra se promover. Ninguém pode ser tão cartunesco o tempo todo. A interpretação do Anthony Hopkins até fica divertida na parte de comédia mas na de drama é uma decepção. Nem toda a dignidade da Helen Mirren consegue manter o nível.

Falando do making of de Psicose, que afinal devia ser o foco aqui, achei que eles aproveitaram bem pouca coisa interessante e apresentaram de forma muito corrida o que resolveram mostrar.

Nem deu pra reconhecer que o roteirista Joseph Stephano era feito pelo Ralph Macchio. E o tempo inteiro parecia só que o Hitch resolvia seus problemas com frases de efeito, no maior estilo “sou f*da!”

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Quanto aos outros atores, achei que o James D’arcy ficou realmente parecido com o Anthony Perkins. De uma forma assustadora até, já que ele conseguiu imitar até o sorriso nervoso do intérprete de Norman Bates.

Scarlett Johanson bem que se esforçou, tentou copiar o tom de voz da Janet Leigh, mas o filme deixou bem claro o que queria dela quando colocou como sua primeira aparição um close da sua bunda em movimento.

Quem foi que chamou Jessica Biel pra fazer a Vera Miles? Ela consegue estragar todas as cenas em que aparece.

E a cereja do bolo mesmo foi quando o Hitch resolve pregar uma peça na Janet Leigh, após a conclusão das filmagens. Ele coloca o manequim que representava a Sra Bates ( se você não se lembra, é basicamente uma caveira com peruca de mulher) no camarim dela e provoca um grande susto.

Olha só que maroto! Lembrou até aquelas piadas de encerramento do He-man quando o Gorpo aprontava alguma e depois saía correndo com medo do Mentor. Faltou só encerrar o filme com as risadinhas da galera.

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Ah Hitch, seu safadinho.

Minha dica pro diretor, Sacha Gervasi: da próxima vez, decida o que você quer fazer, meu filho! Só quem continua tendo o direito de ser esquizofrênico nessa história é o Norman Bates.

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3 thoughts on “Hitchcock (2012)

  1. Pingback: Faça SPAM…mas não faça SPOILER! | O filme da tarde

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