Community: a melhor comédia de todos os tempos

Community cast

Sim, você leu bem. Ao menos pra mim, não tem pra mais nenhuma depois dessa série. Resolvi dar uma chance vendo um episódio só e acabei vendo duas temporadas em duas semanas. Desde Lost que eu não me via numa compulsão tão grande assim.

Considerando que eu estou numa fase de me encantar com histórias de losers, Community acabou sendo um prato cheio. A rigor, ela trata da convivência de um grupo de estudos numa faculdade comunitária americana.

Pra quem não sabe, esse é o nível mais baixo a que um ser humano pode chegar segundo o sistema educacional ianque. Lembra de todas aquelas piadas de The Big Bang Theory pelo fato de a Penny estar pegando matéria numa dessas? Pois é. 

Em Greendale, a instituição fictícia onde se passa a história, estão pessoas que realmente não andaram tendo sorte na vida. Eles acabam se encontrando graças ao ex-advogado Jeff (Joel McHale), que perdeu seu registro na ordem por um diploma falso e precisa cursar tudo de novo.

community-characters

Aqui está a lista dos personagens principais, uma cola pra você ir se situando nesse texto

Jeff não está muito interessado em levar as coisas a sério, e resolve criar um grupo de estudos só pra ter uma chance com Britta (Gillian Jacobs) sua colega das aulas de espanhol. Contra a vontade dele, mais cinco alunos da mesma disciplina acabam também querendo fazer parte.

Nesse momento que eu comecei a pensar: “sério que eles vão reunir um grupo que até bastante diverso só pra focar na história do casal branco, como sempre?” Até pensei ter adivinhado todo o restante da série, com o sujeito cínico encontrando a redenção através do amor da mocinha linda e perfeita que corrige todas as falhas dele. E eu não podia estar mais errada.

Primeiro porque Britta até começa sendo a garota dos sonhos, boazinha, politicamente correta, moralmente impecável. Aquele tipo de personagem que geralmente não tem desenvolvimento nenhum e só serve de troféu pro herói. Com o tempo é que a gente descobre que ela passa longe de ser perfeita, apesar da fachada que tenta construir.

Community

Mesmo frequentemente tendo boas intenções, Britta é desastrada e rebelde de mais causas do que consegue dar conta. Não que ela deixe de ter razão, mas a forma como ela coloca as suas ideias e tenta provar seu ponto de vista o tempo todo acaba valendo o apelido de “estraga-prazeres” dado pelo resto do grupo. Ponto pra série por ter permitido à personagem descer do pedestal e parecer mais humana.

Já Jeff até começa como protagonista, mas vai perdendo esse lugar à medida em que os outros personagens vão tendo mais importância, sendo que todos acabam ficando igualmente relevantes. Quer dizer, até que Abed (Danni Puddi) o meio palestino meio polonês e provavelmente autista acabe roubando a cena. Ele é uma enciclopédia viva de cultura pop, principalmente de filmes e tv, e sempre ressalta os clichês de todos eles. 

abed community

O que nos leva a outra característica da série:  as constantes referências e  paródias. O primeiro episódio já começa no formato de Clube dos Cinco ( The Breakfast Club, 1985) , e mais adiante, outros vão citar Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989), a série M*A*S*H (1972-1983) e assim por diante.

Até o ponto em que o formato inteiro da obra de referência é copiado, como os documentários, filmes de teoria da conspiração, filmes de máfia, de zumbis, dramas espaciais, entre outros. Community é um programa sempre muito consciente do que está fazendo, o que permite que se quebrem as expectativas que a gente foi desenvolvendo ao ver shows parecidos. 

community halloween

Esse é certamente um dos grandes atrativos da série, mas ela não se sustentaria se os personagens não fossem bem construídos também. São pessoas que você poderia encontrar por aí, todos com seus defeitos e qualidades, embora isso não seja dosado igualmente.

A CDF manipuladora Annie (Alison Brie) também é quem mais luta pra manter o grupo unido, e Pierce (Chevy Chase), o mais velho e preconceituoso de todos, também solta suas palavras de sabedoria de vez em quando.

E o que eu acho mais legal é que até os pontos fracos dos personagens são reversões de estereótipos. Troy (Donald Glover)  começa a série como um menino negro que havia sido capitão de futebol e rei do baile em seu colégio. Ele é meio lento de raciocínio, mas a série ressalta que isso se deve ao seu passado de atleta esnobe, e não por uma questão racial.

Aos poucos ele vai evoluindo até assumir seu lado mais nerd e infantil, e a sua amizade com o Abed é que passa a ser a relação mais marcante da série.

Troy_and_Abed

Aliás, um dos maiores méritos de Community pra mim é o fato de conseguir ser uma série extremamente engraçada e não apelar pro tal do humor “politicamente incorreto”. Você sabe, essa roupagem nova pra aqueles velhos estereótipos de sempre. A gente acaba rindo de situações racistas, sexistas e preconceituosas de forma geral sim, mas pelo fato de o verdadeiro ridículo da situação ter sido exposto: aquele que tem o preconceito. 

Pierce é que acaba sendo o porta-voz de quase todas as opiniões mais estereotipadas,  no que é devidamente reprimido pelo grupo. Mas até ele tem um outro lado, e atrai nossa simpatia por não conseguir aceitar muito bem o fato de ter envelhecido, sempre tentando de forma constrangedora e forçada se enturmar com os mais jovens. Muitos dos seus comentários ofensivos se devem mais a sua própria ignorância do que a um real desejo de ofender.

O único personagem que me incomodava um pouco no início era o Reitor Pelton (Jim Rash), já que ele é mostrado frequentemente em situações ridículas, envolvendo o fato de ele ser cross-dresser e de dar a entender que é gay. A falta de outros personagens gays da série faziam tudo isso parecer ainda mais estereotipado.

Mas com o decorrer dos episódios ele acaba sendo melhor desenvolvido. A gente aprende que ele é um sujeito bem intencionado, que realmente quer fazer a faculdade parecer mais séria, e que tem sim um jeito menos ortodoxo de se expressar. Mas não seriam todos em Greendale desse jeito, lutando pra serem aceitos como realmente são?

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No Brasil, Community passa no canal Sony, e nos Estados Unidos ela vai ao ar desde 2009 na rede NBC. Infelizmente, apesar de todas as suas enormes qualidades, a série vive passando por maus bocados. A audiência vive em baixa e a ameaça de cancelamento paira desde o começo.

Existe um grupo de fãs bem entusiastas e bem fiéis, que fazem campanha por renovação a cada fim de temporada, e acho que só eles têm justificado que a série tenha conseguido chegar ao menos à quarta, ainda que com menos episódios. E eu admito que pode ser um pouco difícil mesmo assistir se você não vem acompanhando desde o início, já que são muitas autorreferências. 

Mesmo assim, vale muito a pena tentar. E se você ainda não se convenceu depois do meu texto enorme, veja só esse vídeo com a abertura. Pra mim é a música mais marcante desde Friends.

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Once Upon a Time: aventura, magia e os melhores vilões da tv

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7 thoughts on “Community: a melhor comédia de todos os tempos

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