Guest post do marido: a incrível saga dos jogos de tabuleiro temáticos (Parte 2)

Fearsome Floors

Continuando o assunto da Parte 1, ainda o Lucas!

FearsomeFloorsCaixaO capítulo anterior tratava das dificuldades em se achar bons jogos de tabuleiro relacionados a filmes e séries. A parte final do post trata do Fearsome Floors – o jogo que acabou ocupando o lugar do jogo de zumbi que poderia agradar à Camila.

É de um jovem autor chamado Fridemann Friese, que tem também no currículo os jogos Funny Friends, Friday, Fauna, Famiglia, Felix… é, como deu pra perceber, ele tem fixação pela letra F, o que se reflete até nos textos introdutórios dos manuais de seus jogos. Mas o que Fearsome Floors teria a ver com cinema?

FearsomeFloorsTabuleiroO que acontece é que o jogo de Friese usa temática e ilustrações que parecem ter acabado de sair da Sessão da Tarde, como veremos daqui a pouco. O tabuleiro por si só não é algo muito surpreendente, contendo casas quadradas, mas não perfeitamente retangular (faltam duas quinas).

Mas como em muitos jogos modernos, ele é “modular”: pode-se a cada partida espalhar pelas casas algumas pedras, poças de sangue, espelhos, etc., de forma que o cenário pode ser sempre diferente.

Cada jogador controla um pequeno time de personagens, que deve atravessar o tabuleiro e escapar pela porta de cima. Mas obviamente não é só isso: ao mesmo tempo deve-se fugir de Furunkulus, um monstro controlado por regras simples que, basicamente, fazem com que ele tente devorar quem estiver por perto.

Furunkulus

Furunkulus em sua versão Frankenstein – o monstro também pode ser montado pelos jogadores combinando membros diferentes (El comandante – boardgamegeek.com)

É um jogo muito mais estratégico que parece: o segredo para se dar bem é tentar calcular como poderá ser a movimentação do monstro e, em geral, dar um jeito de atraí-lo para onde haja uma boa concentração de membros dos times adversários.

O jogo em si já é ótimo, mas a arte também ajuda: os times são parte da grande graça do jogo, pois pegam vários dos principais estereótipos de filmes de terror.

O mais óbvio deles é o dos adolescentes (ao lado), que tem um casal com a mocinha recatada e o sujeito com cara de nerd, e um outro com o sujeito bonitão e a moça de blusa decotada – só faltou a caracterização como líder de torcida.

Pânico (Scream)Aqui vale a pena comentar algo interessante em relação às regras do jogo: cada pecinha tem o mesmo personagem nos dois lados, mas com dois números diferentes.

Essas são a quantidade de passos que cada personagem pode andar a cada rodada, e a soma dá sempre sete. Como a mocinha de blusa azul tem um três em um dos lados, ela pode andar três casas para fugir do monstro, e na próxima rodada andar quatro.

Parece um detalhe irrelevante, mas não é: para as peças em que essa diferença é muito grande (em especial a que tem 1 de um lado e 6 do outro), isso significa que, na metade das suas jogadas, você só vai poder dar um mísero passinho, o que muitas vezes acontece nas horas mais inconvenientes. Lembra daquela regra sobre quem morre primeiro nos filmes de terror? Pois é.

Fearsome Floors Crianças

O time amarelo permite recriar outro clichê da sessão da tarde: o de crianças (ou seria “uma galerinha do barulho”?) aprontando as maiores confusões  ao tentar combater monstros, como em Monster Squad (Deu a louca nos monstros, por aqui).

Se nos filmes de terror há o clichê que diz “no final as crianças sempre se salvam”, acaba sobrando pro pobre cachorro, que por ser a pecinha 1-6 acaba quase sempre sendo a primeira vítima do Furunkulus.

Quantas vezes você já não viu uma propaganda de um filme assim?

Quantas vezes você já não viu uma propaganda de um filme assim?

Fearsome Floors - PadresO time roxo conta com dois padres no melhor estilo O exorcista. São só três membros no total porque em jogos com cinco ou mais jogadores (até 7 jogam, o que faz com que Fearsome Floors seja um grande sucesso quando tem muita visita em casa) usam-se apenas três peças, do contrário o jogo ficaria muito caótico.

Além de uma peça a la  Padre Karras e outra a la Padre Merrin, completa o trio um coroinha, que é justamente o “boi de piranha” do time. Se a idéia do ilustrador foi levantar uma ironia sobre, hoje em dia, ser meio assustador mesmo ser coroinha, eu não sei dizer.

Há também um time que por si só já é estrela no gênero: o time verde é claramente baseado na Família Addams, e quem se dá mal aqui é a Vandinha. Já o time azul vem com o típico estereótipo roqueiro, talvez uma referência à gangue de motoqueiros em A bolha assassina (The Blob). E menos óbvia seria a referência para o time preto, que agrupa policiais/investigadores.

Fearsome Floors Addams Roqueiros Policiais

A Família Addams, os Roqueiros e os Investigadores

Fearsome Floors Fans

Finalmente, o time dos fãs tem um trekker, um fã de Buffy e outro de Arquivo X. Se, para esse último, vale a máxima do seriado a verdade está lá fora, há bem poucas chances de que ele descubra se ela de fato está: pois dos três ele é justamente o pobre coitado que carrega o número 1 em um dos lados da pecinha.

FamigliaEnfim, Fearsome Floors, além de ser um jogo divertidíssimo e inteligente, tem esse aspecto que parece ser constante para seu autor e seu ilustrador, Lars-Arne Kalusky.

Outra criação de Friese ilustrada por Kalusky, o jogo de cartas para duas pessoas Famiglia, também é recheado de referências. A começar pela própria ilustração da simpática caixinha, claramente inspirada no personagem de Marlon Brando em O poderoso chefão.

E assim eu termino minha invasão ao blog da esposa – até outra oportunidade!

(Todas as mãos segurando pecinhas foram gentilmente cedidas por Camila Freire. Nenhuma mão foi maltratada para a confecção desse post)
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2 thoughts on “Guest post do marido: a incrível saga dos jogos de tabuleiro temáticos (Parte 2)

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