Guest post do marido: a incrível saga dos jogos de tabuleiro temáticos (Parte 1)

Jogo Imperial

Agora vou deixar vocês aqui com o Lucas, que escreve sobre um dos seus assuntos favoritos.

Voltando do supermercado hoje, Camila deu a ideia de eu escrever um post como convidado. Tá, quem entende de cinema é ela – eu no máximo entendo alguma coisa de Fórmula 1, bioquímica e cristalografia de proteínas. Tenho minhas dúvidas quanto aos dois últimos assuntos, mas o primeiro assunto até daria um post bacana pra outro dia.

SennaEstoril1985

Isso porque, por exemplo, tivemos a sorte de ver no cinema o documentário sobre o Senna e deve sair ano que vem o Rush, filme que conta a época da rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt. Aquela realmente foi uma das épocas mais cinematográficas da Fórmula 1.

Mas a idéia não foi sobre nenhum desses assuntos, e sim meu hobby desde o final de 2009: jogos de tabuleiro. “Ah, tipo War e Banco Imobiliário?”. Hum, mais ou menos. Na verdade esse hobby apareceu justamente por eu ter descoberto, nessa época, que tem coisas muitíssimo mais legais que War e Banco Imobiliário.

Às 5:30 da manhã, você vê seus dois amigos tentando obter a totalidade da Oceania pela trigésima rodada seguida, enquanto você continua sem sequer uma maioria na América do Sul desde a primeira meia hora do jogo - o que foi há muito, muuuito tempo atrás.

Às 5:30 da manhã, você vê seus dois amigos disputando a totalidade da Oceania pela trigésima rodada seguida, enquanto você continua sem sequer uma maioria na América do Sul desde a primeira meia hora do jogo – o que foi há muito, muuuito tempo atrás.

Há jogos de tabuleiro espetaculares sobre os temas mais diversos que se possa imaginar. Estão entre os meus preferidos, por exemplo:

  • Tigris & Euphrates – um jogo abstrato e altamente estratégico que usa as civilizações mesopotâmicas como tema
  • For Sale – rápido e divertido jogo sobre especulação imobiliária, em que, numa má jogada, você pode acabar vendendo por uma merreca uma mansão pela qual foram gastas todas as suas economias, enquanto vê seus rivais ganhando fortunas por uma casinha de cachorro e um iglu que saíram quase de graça.
  • Imperial -É o da foto grande no início do post, que deveria ser responsável pela aposentadoria do War, envolvendo não apenas batalhas por território, mas também o controle maquiavélico das nações por meio de investimentos.
  • Stone Age – em que cada jogador tem uma tribo na idade da pedra e deve-se colocar todo mundo para trabalhar em diversas funções (e também procriar quando falta mão de obra!).

Infelizmente poucos saíram no Brasil, ou saíram mas são raros (como oColonizadores de Catan excelente Arte Moderna e o Top Secret), mas alguns são facilmente encontrados entre um War Batalhas Mitológicas e um Banco Imobiliário do Corinthians, como o jogo com o qual conquistei a Camila pro hobby (Carcassonne) e aquele que acabou se tornando o preferido dela (Colonizadores de Catan).

Se bem que atualmente essa posição está meio ameaçada pelo divertidíssimo jogo de cartas Citadels e pelo Fearsome Floors, que motivou a idéia desse post.

O que acontece é o seguinte: o advento do The Walking Dead criou na Camila uma paixonite aguda por zumbis. Por um bom tempo ela não falava em outra coisa e eu, que não sou bobo nem nada, resolvi aproveitar a oportunidade pra ver se não achava um bom jogo sobre o assunto, conciliando os dois interesses. Mas aí, pesquisando sobre isso, vi que ia ter que tomar um certo cuidado.

Antes de continuar, deixem-me explicar porque a importância do “pesquisar sobre o assunto”: jogos de tabuleiro são muito mais numerosos do que podem sugerir as prateleiras das lojas que os vendem (que, como comentei, costumam ter pouco mais que as variações de War e Banco Imobiliário).

Carcassonne meepleA maior referência sobre o assunto, o excelente site colaborativo BoardGameGeek, tem no momento em que eu escrevo mais de sessenta e dois mil jogos catalogados (mais de mil adicionados só esse ano!). Dentre eles, tem muita coisa excelente, mas também dezenas de milhares de jogos que não valem o papelão em que foram impressos, e muito menos a madeira de suas pecinhas.

E não adianta só achar que um tema legal e um designer consagrado (sim, jogos de tabuleiro podem ser tão autorais quanto os melhores filmes, e eles têm até seu próprio “Oscar”, o disputadíssimo prêmio alemão Spiel des Jahres) vão garantir uma boa compra: que o diga nossa péssima experiência com o Anasazi: tema bacana sobre civilizações indígenas, um tabuleiro modular que fica a coisa mais linda do mundo quando montado, e o mesmo autor do Carcassonne. Não tem como dar errado, né? Pois é, tem. MUITO errado. Passamos ele adiante e não sentimos saudade.

Lindo, né? E dá pra achar por menos de 4 euros em lojas que enviam pelo correio! Mas, acredite, nem por esse preço vale a pena.

Lindo, né? E dá pra achar por menos de 4 euros em lojas que enviam pelo correio! Mas, acredite, nem por esse preço vale a pena.

E aí, quando fui pesquisar sobre jogos de zumbis, fiquei sabendo de um problema que acontece não só pra esse gênero, mas pra boa parte dos jogos baseados em filmes e séries: a maioria deles é feita às pressas, muitas vezes por gente que nem entende direito do assunto, contando com a premissa de que os fanáticos vão comprar qualquer coisa que tenha o nome estampado na capa, mesmo que, como jogo, a qualidade seja pra lá de duvidosa.

Buffy Não que isso sempre aconteça: entre os mil jogos mais bem avaliados no ranking do Boardgamegeek, há o Battlestar Galactica, Star Trek: Fleet Captains, Star Wars: The Queen’s Gambit e até (pasmem!) Buffy the Vampire Slayer: The Game.

Mas é muito pouco quando se pensa em todo o universo de filmes e séries que poderiam dar excelentes jogos. Quando vemos o que há no selvagem mundo exterior ao Top 1000 do BGG, dá pra perceber que não foi por falta de tentativa: há uma quantidade enorme de outros jogos (bem mais mal-avaliados) sobre Star Trek,  Senhor dos Anéis ou Star Wars, além de outros envolvendo Harry Potter, De Volta para o Futuro, ou um dos guilty pleasures da Camila (ops!): Alien vs. Predador.

Uno Star Trek Note-se que em muitos casos são apenas roupagens de jogos que já existem, como o Uno de Star Trek ou o Banco Imobiliário de Star Wars (por mais absurdo que possa parecer a imagem da princesa Leia e do Darth Vader disputando quem vai construir um hotel em Copacabana – digo, um espaçoporto em Tatooine).

Obviamente, a primeira coisa que fiz foi procurar por jogos envolvendo o próprio Walking Dead. Já havia não apenas um, mas dois: um baseado na série, e outro baseado na revista em quadrinhos. Mas lendo as resenhas e comentários, a opinião geral é que, juntando os dois, não dá um.

Munchkin Zombies Acabei então comprando o Munchkin Zombies – eu já tinha jogado o Munchkin original antes, e pareceu divertido na época. O chato é que é daqueles jogos que, ao menos pra nós, a cada vez que se joga parece menos divertido. Também passamos adiante. Ainda havia outros jogos de zumbi bem avaliados, mas mesmo os mais bem colocados não pareceram que iriam nos agradar.

E aí fiquei sabendo do Fearsome Floors. Que era pra ser o assunto principal do post, mas agora que percebi que já escrevi um bocadão antes de chegar no dito cujo. Fica então para a terrível, assustadora, horripilante…

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6 thoughts on “Guest post do marido: a incrível saga dos jogos de tabuleiro temáticos (Parte 1)

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