Crown, O Magnífico (1968)

No começo de As Patricinhas de Beverly Hills ( que eu já comentei aqui) Cher reconhece que a sua vida se parece com um comercial de Noxzema, marca americana de produtos pra pele. Isso porque o filme mostra uma montagem de vários momentos com adolescentes felizes, curtindo a vida, fazendo compras, em festas na piscina, etc, mais ou menos como esse vídeo. Algo muito semelhante acontece em Crown, O Magnífico (The Thomas Crown Affair, 1968), que mais parece um longa metragem de comercial de perfume masculino com toques de comercial de cigarro.

A julgar pelo personagem título, ser milionário deve ser mesmo um negócio muito chato. Cansado de preencher seus dias jogando golfe, polo ou fazendo qualquer outra dessas coisas que ricos fazem, Thomas Crown (Steve McQueen) resolve também assaltar bancos. Para isso ele contrata alguns comparsas que fazem todo o trabalho sujo, sendo que a ele só cabe recolher os louros e depositar o dinheiro em cofres bem seguros na Suíça.

 

A ação do assalto em si é bem interessante, cheia daquelas telas divididas bem anos 60, recurso que seria usado em outros momentos ao longo do filme. Nessas cenas a função é mostrar ao mesmo tempo o que ocorre com cada um dos assaltantes, que foram recrutados individualmente e nem se conhecem, lembrando um pouco o começo do Batman-Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008).

Thomas se acha  muito esperto, já que a polícia não chega nem perto de descobrir o mandante do crime, mas a seguradora do banco dá um passo além. Eles colocam uma investigadora no caso que realmente representa uma ameaça aos planos do milionário entediado. Um ano depois de ser ela mesma uma assaltante de bancos em Bonnie e Clyde (1967), Faye Dunnaway dessa vez está do lado da lei como Vicki Anderson.

Quer dizer, mais ou menos, já que ela forja o sequestro do filho de um dos acusados pra obter uma confissão. E se as suas roupas são um dos aspectos mais memoráveis do filme, incluindo saias que eu achei curtas demais pra quem está indo trabalhar, seus penteados parecem indicar que ela está com passagem comprada pra Tatooine, ou Naboo.

Ainda que estilosa além do necessário, é uma personagem esperta, divertida e com boas falas, especialmente quando coloca um colega sexista no lugar dele. Como era de se esperar num filme desses, ela acaba se envolvendo com o suspeito durante a investigação, a fim de conseguir provas contra ele e garantir a própria recompensa. 

Mesmo assim, é meio inverossímil que uma mulher dessas seja tão imprudente a ponto de nem mesmo levar uma arma ao encontrar um criminoso em potencial, especialmente quando ele já sabe qual o objetivo dela. Sorte que o Thomas Crown é um sujeito boa praça, o Ferris Bueller dos ladrões de banco.

Falando nele, eu consigo até acreditar no fascínio que o Steve McQueen deve ter despertado nessa época, com sua mistura de James Bond com Clint Eastwood, mas não funcionou nem um pouco comigo. Não acho que ele seja bonito o suficiente pra justificar ter vindo direto da escola Keanu Reeeves ( ou cigano Igor) de interpretação. O sujeito é tão mau ator que mesmo com o fim do filme eu não consigo formar uma opinião sobre o personagem.

Tudo que eu sei é que ele gasta boa parte do seu tempo em aventuras (pilota um avião sem motor, uau!) e tem risadas histéricas e assustadoras quando seus planos dão certo. O romance-perseguição dele com a Vicki parece que não vai a lugar nenhum, e a gente não consegue entender o propósito deles, mas acho que quase ninguém liga pra isso quando tem cenas de passeio de buggy nas dunas (o próprio McQueen dirigiu, uau de novo!).

Crown, O Magnífico é um daqueles casos de muito estilo pra pouco filme, mas a gente meio que perdoa, afinal, ele tem toda a cara daqueles anos 60 que a gente queria ter vivido. E sem ele eu nunca saberia que partidas de xadrez podem ser muito sexy, e que é possível ter um telefone numa sauna. Existe um remake com Pierce Brosnan e Rene Russo feito em 1999, mas não posso opinar a respeito porque não assisti.

Por fim, não posso esquecer que ele ganhou Oscar de melhor canção original por ” Windmills of your mind”, música que o meu marido adora e que foi a verdadeira razão de a gente ter resolvido ver esse filme.

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2 thoughts on “Crown, O Magnífico (1968)

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