Em boa companhia (2004)

Resenha escrita em 2006, num outro blog, numa galáxia muito distante

Duas boas palavras pra descrever o filme Em boa Companhia (EUA, 2004) são coesão e coerência (estou me sentindo uma professora de redação). O diretor Paul Weitz fez bem sua lição de casa, apresentando um filme bem amarrado, convincente e que faz sentido, o que não implica em um produto empolgante (a trilha sonora monótona também não ajuda), mas garante alguns bons sorrisos.

Dan Foreman (Dennis Quaid), 51 anos, diretor comercial de uma bem sucedida revista de esportes vê sua normalidade ir embora quando a empresa na qual trabalha é comprada por uma outra, o que implica em demissões de alguns de seus colegas e a sua subordinação a um novo chefe, Carter ( Thoper Grace) que tem apenas 26 anos.

Ao mesmo tempo em que é rebaixado no trabalho, os gastos de sua família aumentam com a mudança da filha mais velha, Alex (Scarlett Johansson) para uma universidade mais cara e com a nova gravidez de sua esposa.

Apesar de ser anunciado como uma comédia romântica, o filme não se baseia no relacionamento que deveria ser o carro-chefe: Alex e o novo patrão de seu pai. A aproximação dos dois personagens é gradativa e natural, servindo mais para expor a fragilidade emocional de Carter (que veio de um lar desestruturado e acabou de ser abandonado pela esposa ) em contraponto à importância de seu cargo. O grande foco é a convivência de Dan e Carter no instável e por vezes injusto ambiente corporativo.

Ainda sobre a trilha sonora: a primeira cena até engana com “Glass, concrete and stone”, do David Byrne mas o que se segue são umas cançõezinhas sem graça que parecem emendadas de tão parecidas. Falando em sem graça, a Scarlett Johansson não está aqui em uma de suas melhores atuações. A cara blasé é a mesma dos outros filmes, mas neste ela parece excepcionalmente apática, mostrando-se quase inexpressiva mesmo quando vê o pai esmurrar seu novo namorado.

Daí a personagem que já era secundária perde ainda mais espaço, o que nos leva a crer que poderia mesmo ser interpretada por uma atriz qualquer e que a escolha foi mais uma questão de “rosto-bonito-rosadinho-de-atriz-emergente-que-atrai bilheteria”.

O oposto acontece com Dennis Quaid: pouco badalado atualmente, mas que surpreende com sua atuação simples, porém irretocável, um autêntico “paizão” com filhas adolescentes e em plena crise da meia-idade.

Vale destacar as cenas deletadas, nos extras do DVD, onde o diretor nos explica (e nos convence) sobre o porquê de determinadas tomadas não estarem no filme (preste atenção no cuidado ao tentar aproximar os personagens principais de maneira espontânea).

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