Munique (2006)

Resenha escrita em 2006, num outro blog, numa galáxia muito distante

Parece que eu fui a única que não me deixei impressionar pelo “amadurecimento” de Spielberg neste filme. Ok, a direção de arte é boa, a ação funciona e as 3 horas de filme não são tão compridas quanto as de A lista de Schindler ( no qual eu confesso, dormi muito). No entanto, falta alguma coisa à discussão política, que tem como seu principal mote junto à mídia o fato de não tomar partido de nenhum dos lados.

Isso é verdade, Spielberg junta todos no mesmo saco, mostrando que os assassinatos cometidos por Israel são tão injustificáveis quanto os cometidos pelos palestinos e por qualquer outra organização terrorista, mas… porque só eu não consigo ver nada de excepcional nisso?

Tudo tem início com o atentado terrorista palestino nas Olimpíadas de Munique, no qual 11 atletas israelenses foram mortos. Em represália, Israel põe grupos armados à caça dos líderes responsáveis, sendo que na organização de um dos grupos estava nosso “herói”, Avner (o Hulk, Eric Bana), o qual deixa a mulher grávida para cumprir a função. Sua missão era eliminar alvos na Europa, e, para isso, contava com o auxílio de alguns outros judeus militantes (entre os quais estava o atual 007, Daniel Craig).

Confirmando que, definitivamente, o filme não está passando a mão sobre a cabeça dos israelenses, nem justificando suas ações, vemos que entre os “perigosos” líderes palestinos estão um escritor radicado em Roma, que acabara de traduzir os contos das 1001 noites, e um pai de família que vive em Paris.

As informações que o grupo de Avner recebe vêm do francês Louis (Mathieu Amalric) , que cobra uma fortuna por cada palavra que diz e mostra-se dissociado de qualquer organização política. Sua “ajuda” acaba ficando bem mais cara em alguns momentos, como quando troca as marcas de materiais para bombas (o que acaba resultando em uma explosão mais forte do que o esperado) ou quando sugere um abrigo meio… hã… movimentado em Atenas, o que leva a uma das cenas mais (involuntariamente, acredito) engraçadas do filme.

Os israelenses chegam no que parecia ser uma casa abandonada, e são surpreendidos no meio da noite pela “visita” de outros terroristas, sendo que cada grupo grita ao mesmo tempo a organização de que faz parte ( OLP e ETA) na tentativa de não ser eliminado.Todos foram conduzidos ao local pelo mesmo informante ( o francês). Por fim, os diversos integrantes resolvem pernoitar pacificamente no mesmo local ( os da OLP não sabem que Avner e seu bando são israelenses), e a partir de algumas conversas, vemos que agem por causas muito parecidas.

Não deixa de ser curioso pra nós ver a CIA e a KGB atuarem como meras coadjuvantes, agindo de modo não muito explícito e deixando algumas perguntas sem resposta.

Apesar de ser um bom filme de ação, e de envolver o espectador desde as primeiras cenas, Munique não consegue evitar alguns (muitos) clichês de filme que quer ser político sem deixar de ser emotivo. Por exemplo, a mãe de Avner, em certo momento, diz algo como “você não precisa dizer o que está fazendo, eu vejo em seus olhos”  e o próprio Avner solta uma pérola para a esposa “meu lar é você”. Uma cena tocante, mesmo um pouco brega, é quando ele ouve o balbuciar da filha no telefone, sendo que só a viu no dia do nascimento, e se derrama em lágrimas.

Ainda nos clichês, temos o superior do serviço secreto israelense, Ephraim (Geoffrey Rush, o Capitão Barbossa de Piratas do Caribe), o típico ditador de regras que não explica coisa alguma e ainda confunde no que for possível. Também Louis tem um comportamento caricato de informante que diz frases de efeito e não faz questão de esconder a própria ambigüidade, apesar de ficar um pouco mais humano em algumas cenas. Ambos são o mais próximo que se chega de “vilões”.

Algo intrigante foi a naturalidade com que a esposa de Avner, Daphna (Ayelet Zorer) aceita que o marido saia em uma missão que poderia durar vários meses, da qual ela não sabia detalhes e que a deixaria cuidando de um bebê sozinha. E ainda quer que ele peça um aumento porque a criança teria gastos!Além disso, ela não demonstra muita alegria quando ele liga, depois de vários meses sem contato, nem quando o reencontra. Parece que ele apenas havia saído numa viagem de férias…

No fim das contas, o filme é bom, mas peca em apresentar uma visão realista. As decisões na cúpula israelense não convencem. Como acreditar que um governo estabelecido possa agir por puro revanchismo? E os integrantes do serviço secreto são assim tão inocentes, agindo apenas por motivações pessoais e desejo de servir ao seu povo (e nem um pouco por todo o dinheiro que circulou durante a operação)?

Vendo o abalo psicológico que o Avner sofreu durante o conflito (o choro pelos colegas perdidos, a vontade de voltar pra casa, a mania de perseguição) só me resta sentir saudade do Capitão Willard (Martin Sheen) de Apocalipse Now…aquilo lá é que era exterminador de verdade!

Nota atual: não faço a mínima ideia de porque escrevi esse último parágrafo, tão desconexo com o resto do texto.

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