Em treinamento

Quase todo mundo se lembra de algum filme que tenha como protagonista um herói (ou heroína) fraco, medroso ou inexperiente. E essa mesma pessoa vai ter que enfrentar um desafio além da sua capacidade e, às vezes, da sua compreensão. Como então fazer a coisa minimamente verossímil sem ter a pobre criatura morta ou desiludida antes do meio do filme?

A resposta é: com a cena de treinamento. Contando com a sorte de ter um mestre, (geralmente um velho sábio pros meninos e um gostosão pras meninas) o tal herói vai aprender tudo o que precisa em não muitos minutos de tela e até com uma musiquinha pra acompanhar. E eu confesso que a música foi um fator importante pra que eu gostasse mais dessas cenas de treinamento aqui:

Quando eu era criança, eu parava qualquer coisa que estivesse fazendo pra ver Highlander (1986) passar pela milésima vez na Sessão da Tarde. Adorava todas as lutas e até os efeitos especiais, que hoje eu acho sofríveis. Aliás, quase tudo perdeu o encanto assistindo depois de adulta, menos as cenas em que Ramirez (Sean Connery) dá uns toques pra que Connor Mac Leod (Cristopher Lambert) possa se virar no mundo dos imortais, recém descoberto por ele.

 Só pode haver um imortal no fim das contas, que vai ficar com um “prêmio”, e a única forma que eles têm de destruir uns aos outros é cortando a cabeça. Pra complicar, existe um certo vilão (Kurgan) cuja vitória seria uma desgraça pro mundo inteiro.

Por conta desse filme, o Queen (que faz toda a trilha sonora) se tornou a minha banda favorita, e não dá pra lembrar do Mac Leod correndo pela praia sem pensar em Who wants to live forever, mesmo que a música não toque nessa cena específica.

Nesse vídeo aí acima, o treinamento mesmo é do minuto 4:50 em diante.

Karate Kid (1984) é um filme inteiro de treinamento, talvez o maior clássico do gênero e o primeiro que ocorre quando a gente pensa no assunto. O Senhor Miyagi (Pat Morita) parece abusar do coitado do Daniel San (Ralph Macchio)que, além de sofrer bulliyng de um bando de valentões, ainda tem que lavar carros e pintar cercas sob o pretexto de aprender artes marciais.

Mas nada disso foi em vão, e o método pouco ortodoxo do senhor Miyagi acabou sendo decisivo pra que Daniel se tornasse um lutador de verdade. Apesar de começar a tocar instantaneamente na cabeça quando a gente pensa nesse filme, a música Glory of Love só aparece na continuação.

Dirty Dancing (1987)  é uma espécie de Karate Kid pra meninas , é só trocar as artes marciais por dança , o Senhor Miyagi pelo Patrick Swayze no seu auge, e o vilão adolescente pelo pai da protagonista Baby (Jennifer Gray). E já que, segundo Hollywood, o público feminino só assiste um filme se tiver romance, fundiram os personagens do mestre e do par romântico em um só.

Highlander e Daniel também tinham namoradas, mas elas apareciam bem pouco, e não eram o foco do filme. Já aqui o envolvimento dos protagonistas é parte do próprio treinamento, e do aprendizado da heroína. A trama em si é bem bobinha, mas a trilha sonora não vai te largar jamais, especialmente enquanto  The time of my life estiver bombando em casamentos.

A saga de Mulan(1998)  é nobre desde o início, já que ela se oferece pra lutar na guerra contra os Hunos no lugar do pai, que está doente e provavelmente não sobreviveria. Pra isso ela se disfarça de homem e se alista no exército chinês sem fazer muita ideia do que está fazendo.

Tinha tudo pra dar errado, mas graças às lições do general Li Shang ( que além de bonito é competente) e à sua própria coragem e inteligência, Mulan acaba se tornando heroína da China e é capaz de trazer honra à sua família de uma forma diferente da que eles imaginavam (no começo do filme, estão tentando encontrar um marido pra ela).

Mulan foi um marco para as heroínas da Disney, com uma trajetória que não girava em torno de um relacionamento com príncipe encantado. Se ela acabou ficando com o general Li Shang, bom, acho que é porque o estúdio não ia conseguir mesmo ficar sem um casalzinho no final, e resolveram o problema usando a regra de economia de personagem de Dirty Dancing ( mestre=par romântico). Pelo menos o namoro deles é bem no finzinho do filme mesmo, e de forma bem sutil.

Existem outros filmes com a fórmula “treino-superação-desafio final” que até me agradam, como Rocky: Um lutador (1976) e outros que, se são filmes ruins, ao menos têm músicas boas, como Flashdance (1983). Mesmo assim, nos dois casos, o herói/heroína consegue vencer por conta própria, sem mestre, o que mostra que ele não era não necessitado assim.

De bônus, tem um certo treinamento que não está entre os meus favoritos, mas certamente entraria na lista se a trilha sonora fosse essa.

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3 thoughts on “Em treinamento

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